Combate às drogas
Prevenção une pais e professores
Aproximação entre escola e família é fundamental na luta contra a dependência química
A história do auxiliar educativo e voluntário do Amor-Exigente, 26 anos, não é diferente daquela contada por milhares de usuários de drogas. O jovem de classe média teve o primeiro contato com o álcool aos 11 anos. A maconha, ele experimentou dois anos mais tarde. E assim, progressivamente, vieram a cocaína e o crack. Para sustentar o vício, ele fazia a função de “avião” - aquele que faz a ponte entre o traficante e os usuários. “Sempre morei no centro, conhecia muita gente”, conta. Quando a situação se tornou insustentável, ele decidiu procurar ajuda.
Entre os responsáveis pela recuperação do jovem, está a entidade de autoajuda que trabalha prevenção e combate ao uso de drogas, o Amor-Exigente, onde ele trabalha como voluntário hoje. A espiritualidade, o trabalho e a gratidão mantêm o jovem limpo há dois anos e dois meses.
Segundo o coordenador regional do Amor-Exigente, Mario Furtado, 10% da população mundial têm algum tipo de vício em drogas, incluindo álcool e cigarro. Ele destaca curiosidade, aceitação no grupo, fuga de problemas e dificuldade no relacionamento entre pais e filhos, como fatores comuns que levam a criança e o adolescente a entrarem no mundo das drogas. Daí a necessidade de uma prevenção universal, a partir da escola, e envolvendo pais e educadores. Na avaliação de Furtado, a educação hoje está muito liberal. “Pais e professores não dão limites e falta diálogo”, diz.
Em Londrina, segundo a gerente de apoio educacional da Secretaria Municipal de Educação, Fátima Cristina Malvezzi, 160 professores de 67 escolas municipais que aderiram ao programa Qualidade de Vida com Amor-Exigente, já foram capacitados. Ela afirma que 38 escolas já iniciaram os grupos com os pais em setembro. “O próximo passo é a capacitação para o trabalho com as crianças dentro da sala de aula.” Para a educadora Araci Azinelli da Luz, doutora em Educação, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e membro do grupo de trabalho sobre educação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a aproximação da escola com a família para discutir temas contemporâneos é essencial para resolver problemas como o das drogas. Ela diz que os educadores devem assumir o papel da prevenção como fator pedagógico dentro das escolas. “Quando isto acontecer vamos reduzir vertiginosamente a demanda pela droga, gravidez na adolescência, casos de bullying”, avalia.
Para discutir a problemática das drogas, Londrina sedia de hoje a domingo, no Hotel Londristar, o 1º Fórum Nacional de Amor-Exigente para debater a prevenção universal. O evento contará com seis salas temáticas que vão abordar ações dentro das escolas, políticas públicas na prevenção de álcool e drogas, a mídia na prevenção e fatores predisponentes para dependência química.
Fonte: Amanda de Santa - JL
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010
terça-feira, 25 de maio de 2010
Reincidentes em Londrina
O sistema carcerário brasileiro é ineficiente, não consegue ressocializar as pessoas que ingressam nele e está à beira da falência. Essa avaliação, que beira o senso comum, é comprovada por um dado estatístico fornecido pela Polícia Civil: 40% das 235 pessoas presas ou apreendidas em flagrante neste ano, em Londrina, são reincidentes. Eles já passaram pelo menos uma vez pelo sistema carcerário e voltaram a delinquir. Parte deles (16, de um total de 94) já foi presa neste ano e voltou a ser pega em flagrante. Outros 6 presos nessas condições foram soltos graças ao mutirão promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Para os policiais, prender o mesmo cidadão mais de uma vez num curto espaço de tempo dá impressão de que o trabalho “não rende”. É comum nos círculos policiais a leitura de que a lei é “frouxa” e facilita a saída dos acusados da cadeia. Para a sociedade, a sensação é pior ainda: o sistema carcerário, que além de punir, deveria reeducar e ressocializar, não consegue fazer nem um, nem outro.
Por mais que os transgressores sejam punidos, a probabilidade de reincidência quando do retorno para a rua é enorme. É um problema que nem o aumento de efetivo das polícias – uma necessidade urgente –, nem a melhora na estrutura de segurança pública, são suficientes para dar à sociedade a tão desejada sensação de segurança. Além de um sistema carcerário que tenha condições de recuperar os presos, é preciso voltar as atenções para medidas de prevenção, como investimentos pesados e bem planejados em educação, por exemplo.
Fonte - JL.
Para os policiais, prender o mesmo cidadão mais de uma vez num curto espaço de tempo dá impressão de que o trabalho “não rende”. É comum nos círculos policiais a leitura de que a lei é “frouxa” e facilita a saída dos acusados da cadeia. Para a sociedade, a sensação é pior ainda: o sistema carcerário, que além de punir, deveria reeducar e ressocializar, não consegue fazer nem um, nem outro.
Por mais que os transgressores sejam punidos, a probabilidade de reincidência quando do retorno para a rua é enorme. É um problema que nem o aumento de efetivo das polícias – uma necessidade urgente –, nem a melhora na estrutura de segurança pública, são suficientes para dar à sociedade a tão desejada sensação de segurança. Além de um sistema carcerário que tenha condições de recuperar os presos, é preciso voltar as atenções para medidas de prevenção, como investimentos pesados e bem planejados em educação, por exemplo.
Fonte - JL.
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